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Você sabe a diferença entre artrite e artrose em cães e gatos ?

Assim como nos seres humanos, os animais também podem desenvolver a artrite e a artrose. Bem conhecidas, essas doenças limitam os movimentos e podem causar dores crônicas de difícil controle. Ambas estão relacionadas distúrbios das articulações.

As articulações são compostas por tecido mole, ossos e cartilagem (nem sempre presente). Sua função é basicamente unir 2 ou mais ossos permitindo seu movimento natural (algumas articulações não tem movimento). Acontece que, por diferentes fatores, os tecidos que envolvem as articulações podem se lesionar causando inflamações, configurando um problema articular.

Sintomas de problemas nas articulações 

Os principais sintomas que o animal poderá apresentar nos casos de problemas articulares são: dificuldade ao se locomover (devido às dores), perda na amplitude do movimento, sensibilidade e aumento do volume na região articular acometida, alteração na temperatura local, diminuição das atividades físicas, mudança de comportamento, agressividade ao ser manipulado, dificuldade no movimento ao defecar e/ou urinar.

Diferença entre artrite e artrose 

Primeiramente, toda artrose é um artrite. De maneira simples, a artrite caracteriza-se por uma inflamação da articulação que pode ocorrer dos diversos motivos (doenças autoimunes, fatores genéticos, quedas, má nutrição, infecções, entre outros) e a artrose por um processo inflamatório crônico que aparece geralmente em animais mais velhos, a partir dos 5 anos de idade.

A artrose é uma doença articular crônica, também chamada de osteoartrite ou doença articular degenerativa (DAD), representando cerca de 70% dos problemas articulares em cães, tendo sua progressão lenta, podendo ser decorrente da artrite, de processos autoimunes, sobrecarga articular e outros fatores. Por fim, a diferença entre elas, é que a artrite é uma inflamação aguda, que tem ação rápida e a artrose é uma inflamação mais lenta e crônica.

Artrite e Artrose 2

Tanto a artrite como a artrose em cachorros podem ser causadas por obesidade, dietas inadequadas, suplementação desnecessária em filhotes, idade (acometendo os animais mais velhos), traumatismo, rupturas de ligamentos, exercícios com alto impacto, displasias, luxação da patela, entre outros fatores. A artrite geralmente acomete cães na faixa etária dos 5 – 6 anos, e nos casos de artrose 50% estão relacionados a animais entre 8 – 13 anos e 20% em cães idosos (de 10 a 20 anos).

Tem tratamento?

Sim, ambas as doenças articulares possuem tratamentos, e em muitos casos não há cura, porém é possível estabilizar o curso da doença, como por exemplo:

O controle de peso pode ser feito através de uma dieta balanceada, orientada por um médico veterinário, e também pelos exercícios físicos. Os exercícios mais recomendados são caminhada, natação e uma corrida lenta. A fisioterapia também pode ajudar em muitos casos.

O local em que o animal dorme (cama), deve ser de tamanho adequado para o seu porte, proporcionando conforto e ausência de friagem, que não esteja diretamente em contato com o chão, pois no frio a artrite pode piorar. O local onde o cão se movimenta não pode ter um piso escorregadio.

A condroitina ou sucralfato de condroitina é um componente básico da cartilagem articular,  importante para sua formação, sendo uma substância que pode ajudar a prevenir doenças articulares. Entre as propriedades condroprotetoras destaca-se a ação inibitória de enzimas de degradação da cartilagem (DIAZ et al., 1996). Principalmente nos casos de artrose, nos cães de grande porte, ou ativos (animais atletas) e cães idosos, tem como importante função inibir a destruição permanente da cartilagem. Geralmente é associada à Glucosamina, outra substância que pode auxiliar a reduzir a inflamação e até regenerar a cartilagem lesada em alguns casos (DE SOUZA et al, 2010; BIASI et al, 2005). Quando associadas, reduzem a dor e a rigidez articular. São substâncias retiradas da cartilagem de peixes, moluscos, suínos e aves, e que são também muito utilizadas na medicina humana.

Todos os tratamentos citados acima possuem suas recomendações e restrições que variam conforme o caso. Consulte sempre um médico veterinário que indicará o melhor tratamento para seu animal de estimação.

 

Referências bibliográficas

BIASI, F. et al. Reconstrução do ligamento cruzado cranial em cães, associado ou não ao sulfato de condroitina. Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia. v. 57, n. 4, p. 442-447, 2005.

DE SOUZA, Alexandre Navarro Alves et al. Uso dos condroprotetores na afecção articular degenerativa: revisão. Rev. Acad., Ciênc. Agrár. Ambient, v. 8, n. 3, p. 281-289, 2010.

DIAZ, V.B. et al. Chondroitin sulfate (Overview). In: SALAMONE, J.C. (Ed.). Polymeric materials encyclopedia. Boca Raton: CRC, 1996. v.2, p.1262-1274.